O PAPEL DOS CLUBES

 

Aonde as crianças e adultos experimentam o tênis pela 1º vez? Majoritariamente nos clubes. É neles que a vida esportiva normalmente acontece e se os pais são praticantes de alguma modalidade, a chance dos filhos não praticarem algum esporte é quase nula. Gostaria de mencionar também a maravilhosa contribuição que os projetos sociais estão proporcionando para crianças e adolescentes que não tem condições financeiras de serem sócias de um clube. Quase todos os estados brasileiros possuem vários e incríveis projetos sociais que usam o tênis como forte ferramenta de educação e cidadania.

Tive muita sorte de meus pais serem da área da saúde – mãe educadora física e pai médico – então a vida de clube me foi apresentada desde os primeiros anos de infância. Lembro da minha mãe jogando tênis na quadra 2 do Recreio da Juventude em Caxias do Sul e eu no fundo brincando com “panelinhas” no saibro. Óbvio que antes dos seis anos eu já estava com uma raquete nas mãos. Aos sete iniciei viagens para competir pelo estado e exatamente um mês antes de completar nove anos ganhei meu 1º brasileiro de duplas em Curitiba ao lado da minha “eterna” parceira Luciana Della Casa. Dos nove anos em diante os sinais de competir em nível mais avançado precisaria de apoio maior, e começaram a aparecer. Por esta época, a Associação Leopoldina Juvenil me convidou para disputar competições representando o clube sem eu precisar treinar em Porto Alegre. Me ofereceram passagens e inscrições, além de ter um grupo com treinador acompanhando para viajar pelo Brasil. Sou sócia laureada com muito orgulho e gratidão à Associação Leopoldina Juvenil.

Em Caxias, logo passei a estudar pela manhã para intensificar os treinamentos à tarde. Na categoria 12 anos fiquei entre as dez melhores do ranking brasileiro, na 14, encerrei o ano em 5ª. No ano que completei 15 anos, as meninas que tinham a mesma idade que eu iniciaram treinamentos em locais diferenciados, com mais tempo de quadra, preparação física e outras atividades. O desempenho de todas em geral melhorou muito, foi então que junto com meus pais, tomamos a decisão que estava na hora da grande mudança acontecer. Aos 15 anos mudei para Porto Alegre para treinar em uma academia particular, onde fiquei até perto dos 23 quando encerrei a carreira. Lá a estrutura voltada para competição era outra, mesmo assim, em um determinado momento da carreira, senti a necessidade de contratar mais pessoas ao meu redor, mas tudo isto deixarei para uma próxima ocasião.

Com esta introdução longa quero mesmo salientar, por opinião e experiência própria, que todo atleta que almeja uma carreira profissional chegará na encruzilhada de ter que buscar outra alternativa de treinamento, pois ele precisará de treinador com experiências variadas (técnico, tática, mental, físico, viagens, línguas, bom relacionamento com pessoas chave no circuito, etc.), preparador físico mais específico e outros profissionais como nutricionista, fisioterapeuta e psicólogo que farão a diferença no seu desempenho. Tudo isto citado acima, não é papel dos clubes. Clube é fomento, sociabilização, grupo. Não existe (se existe eu não conheço) clube que tenha um orçamento exclusivo para um tenista profissional ou em transição. Já é algo muito diferenciado estar em um clube onde os tenistas recebem inscrições, transporte, treinador e uniformes bancados internamente.

Escuto de muitos pais que o clube do filho não apoia, que não dá isto ou aquilo, que poderia fazer mais e etc. Repito, quando este tenista iniciar voos maiores não será mais no seu clube de infância que sua carreira irá deslanchar. Vida longa aos clubes, pois deles dependemos que nosso esporte tenha renovação constante. Dificilmente um tenista que “chegou lá”, não passou por um clube e equipe acolhedora lá no início de sua carreira

Dedico este artigo, aos meus três clubes do coração: Recreio da Juventude, Associação Leopoldina Juvenil e Sogipa.

 

Sabrina Giusto é ex-tenista profissional e agora colunista da FGT.

 

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