GAÚCHAS NO TÊNIS

 

Com muita honra aceitei o convite da direção de comunicação da FGT para ser colunista do novo site e logo comecei pesquisa e conversas com várias experts da área sobre qual seria o melhor assunto para começar este texto, a certeza veio rapidamente: Niege Dias.

Niege foi 31ª da WTA de simples e 47ª de duplas. Lembro como se fosse hoje a primeira vez que vi uma tenista realizar um swing volley. Esta tenista, era ela. Aos 13 anos de idade, não poderia imaginar o quanto natural viria a se tornar um swing volley para o tênis feminino.

Hoje, todos – homens, mulheres e crianças – usam e abusam deste tipo de voleio como alternativa (a meu ver, a melhor alternativa) de “tirar” tempo dos adversários.

Tive MUITA (com letra maiúscula mesmo) sorte de estar na quadra ao lado dela quando tomou a decisão de parar de competir. De uma adolescente “metida”, sem a mínima ideia do quanto seria árduo o caminho que estava iniciando, consegui alcançar um ranking profissional mediano (174 da WTA), aprendendo mais pela dor, do que pelo amor.

Por sinal, não existe maneira mais eficiente e rápida de se aprender algo do que através de situações duras que a vida apresenta. Levei umas “duras” bem boas da Niege e mais tarde, avaliando, será que teria chegado a 174 sem elas? Provavelmente não. As puxadas de orelha que levamos da vida, nos tornam mais perspicazes e atentos às nuances do dia a dia.

Antes da Niege, tivemos muitos sobrenomes que levaram nosso tênis quadras à fora, entre eles: Petersen, Schroeder, D’Andrea, Fontoura, Matte, Drum, Muller, irmãs Meister, Borba Dias, Wapler, Brenner e… vou parar por aqui. Posso não citar alguém e cometer injustiça.

Pós Niege, a minha geração (Della Casa, Valls, Paiva, Kelbert) foi muito prodigiosa em âmbito nacional e todas deram uns passos ao profissionalismo.

Anos depois, chegou a Miriam D`Agostini, alcançando alcançando a posição de 188. Ela saiu de casa bem jovem: aos 12 anos se mudou de mala e cuia para Assunção, Paraguai, treinar com o ex-jogador profissional, Victor Pecci (número 9 da ATP). Quando Mimi estreou seu primeiro jogo profissional aos 14 anos em Curitiba, as coisas se repetiam, lá estavam eu e a paulista Dada Vieira do lado da quadra, ajudando. Ciclo da vida: umas vão, outras vêm. E a última jogadora gaúcha que segue tentando carreira na WTA é Gabriela Cé, chegando ao posto de 222ª em setembro de 2019. Sigo muito na torcida por ela!

E depois da Gabi? Qual o cenário? Temos Sofia Mendonça, 19 anos (vive em São Paulo há três anos) que fez ranking em 2021 (1.079) e alguns nomes de 13, 14 e 15 anos que já demonstraram um certo potencial – Cruz, Rivoli, Andreola, Aguirres e outras. Serão PRO? Baixarão de 200? De 100? Não me atrevo a dizer. Mas uma coisa sim, tenho que dizer, infelizmente a  meu ver, não será no Sul do Brasil e mais, também não será ao sul da linha do Equador que a carreira profissional alçará voo. Terão de estar treinando e convivendo onde as “melhores” estão. E as melhores estão no hemisfério norte.

Encerro dizendo que nosso estado já produziu muitas tenistas. E ver o rumo que a Federação Gaúcha de Tênis está tomando nos últimos meses, reacende a esperança que mais tenistas gaúchas poderão surgir.

Sabrina Giusto é ex-tenista profissional e agora colunista da FGT.

 

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